Quando se fala em trilha para o gênero terror, a primeira referência que temos é Silent Hill. Nesta postagem, porém, quero citar um outro trabalho que é para Siren (ou Forbidden Siren), jogo de Playstation 2, desenvolvido pela Sony. O álbum (KDSD-00235, Team Entertainment Inc., 2008), com 30 faixas, soma uma hora de música e tem nos créditos composição e arranjo por Hitomi Shimizu, Gary Ashiya, Kimitaka Matsumae e Noriyuki Asakura.
E como fiz a referência inicial com Silent Hill, essencialmente a trilha de Siren difere daquele pelo uso de uma estética mais orgânica. Aqui não temos as instrumentações industriais tão marcadas, mas faixas de ambientação com bases um pouco mais clássicas, aprecendo uso de cordas, distorções de violino e coros com bastante reverberação.
A construção de uma trilha de terror comumente requer uso não convencional dos sons, de forma se chegar num resultado insperado, ou seja, a geração do elemento estranho. Em Silent Hill temos distorções eletrônicas e ruídos angustiantes e opressores. Em Siren eu acho que o elemento marcante e efetivamente perturbador – e também belo, no aspecto artístico – é o uso da voz. Esta característica é observada nua e crua no início imediato do álbum, com a canção Horatio - Hoshingoeika (1). Também aparece marcante nas Karuwari (6 e 14), Angel... (13), At the Eternal Interstice the Beginning and End Become One... (15), The Great Serpent... (16), I Congratulate You, For All Fortune is Yours (18) e Hoshingoeika (30).
Na demonstração abaixo selecionei trechos das faixas:
Horatio - Hoshingoeika (até 40")
Karuwari II (até 1'30")
The Great Serpent... (até 2'03")
Flames of Eternity... In Exchange For My Life... (até 2'35")
O Junf – Japan Universal Fest é um evento voltado à cultura japonesa e acontece no próximo dia 22 de novembro, um domingão, em Niterói, com ingressos antecipados à R$ 8 e R$ 10 no dia. Veja os detalhes na divulgação feita no site da Benzaiten:
O que falar da trilha do terceiro Splinter Cell? Bem, Splinter Cell - Chaos Theory - Soundtrack é aquele "típico" trabalho que impressiona, envolve e mostra a sua qualidade desde o início da sua primeira faixa. Você notará o baixo ágil e saliente e uma percussão nervosa, ou seja, essencialmente drum 'n' bass†. A trilha como um todo puxa para o eletrônico, para o sintético, que na verdade é recheado de elementos orgânicos.
Quem assina a obra é o brasileiro Amon Adonai Santos de Araújo Tobin (1972), o Amon Tobin, que também é produtor. Para o trabalho, Amon contratou uma série de músicos, o que explica o sabor conseguido da mistura dos sons eletrônicos com a instrumentação real. Abaixo, os artistas e sua participação:
Amon Tobin: produção, arranjo e eletrônicos
Massimo Modugno: órgão Hammond
Umberto Modugno: Mellotron
Fausto Bava: bateria
Canhoto Philharmonic Orchestra: cordas
Giuseppe Guerra: bateria
Kawaguchiko National Junior Choir: vocais
Dominico Lenzi: pianos
Fabio Lenzi: guitarra
Eiji Myake: flauta
Salvatore "El Matador" Pennacchio: pandeiro e conselheiro espiritual
Alfonso "El Jeffe Fragante" Testi: regente
Juan Luis Verdi: percussão
A primeira faixa, The Lighthouse, começa denso e obscuro, que é logo quebrado pela energia do baixo e que também acaba fazendo a função de criar a melodia-tema. As cordas criam suspense tanto no uso dos sons graves e profundos quanto nos agudos em tremolo. Essa atmosfera sombria permeia todo o álbum e que, aliás, também está muito bem representado no desenho da capa: as três luzes verdes emblemáticas, que isoladas se tornam abstratas e beiram ao terror quando reforçadas pelo sangue escorrido. A percussão entra mais ao final da música e mostra a que veio: simplesmente espetacular e sempre cercada de um sem-número de efeitos, dos mais diversos, conseguidos por instrumentos ou sintéticos, criando ao mesmo tempo tensão, ritmo e energia.
Ruthless também inicia densa e segue com ritmos mais ordenados, um baixo contínuo e incisivo e novamente percussão em solos arrebatadores. Ruthless ganha uma releitura mais comedida na faixa 7: Ruthless (Reprise). Em mais um suspense, Theme From Battery, dessa vez industrial, um tanto sinistra e abusando do caldo de efeitos sonoros. A faixa 4, Kokubo Sosho Stealth, também com toques industriais é similar, mas pontua uma percussão quase militaresca – mas muito característico do jungle – somente em alguns momentos.
El Cargo (faixa 5) entra solando com uma guitarra peculiar, avança para ritmo mediano e é encorpada após os 2'40". A faixa 6, Displaced, cria um fraseamento incrível de instrumentos de corda, minimalistas, envolvidos com efeitos crescentes e ritmados. Arrisco a dizer que usaram um berimbau aqui.
Kokubo Sosho Battle, na faixa 8, é mais caótica e os ritmos são mais picotados. Seguida pela Hokkaido, que é "apenas" obscura até a metade, mas também cresce em ritmo e volume, pontuando misteriosas cordas graves no final. E fechamos com The Clean Up, a mais longa, com 7' de duração, que segue quase dois minutos de puro suspense (e que me fazem lembrar um pouco a trilha de Silent Hill) mas que, como todas, cresce com a entrada da percussão, muitos efeitos envolventes e pinceladas marcantes de flauta.
Uma trilha com muita maturidade, edição e acabamento fantásticos, sonoridade rica em detalhes, sofisticada, envolvente e empolgante, Amon Tobin e seus músicos realizaram aqui um espetacular trabalho para a Ubisoft. O CD também ganhou uma versão no formato 5.1 o que me deixa muito curioso em ver como ficou a obra numa ambientação tridimensional!
No tocador acima, você pode ouvir uma demonstração com trechos das faixas The Lighthouse (até 0'50"), Ruthless (até 1'40") e Kokubo Sosho Stealth (até 3'17"), e abaixo a lista das músicas do álbum.
01. The Lighthouse 02. Ruthless 03. Theme from Battery 04. Kokubo Sosho Stealth 05. El Cargo 06. Displaced 07. Ruthless (Reprise) 08. Kokubo Sosho Battle 09. Hokkaido 10. The Clean Up
Recentemente fui contatado pelo Peterson Uchoa Mayrinck – estudante de Jornalismo da Universidade Federal de Pernambuco – para colaborar (como personagem) em uma matéria de cunho acadêmico sobre as artes aplicadas aos videogames, mais especificamente sobre trilha sonora. Batemos um papo, trocamos algumas ideias, respondi algumas perguntas e o texto ficou pronto. Participaram também Evandro Natividade, Cláudio Lins e Flávia Amorim e, como o assunto aqui nos interessa, propus que publicássemos o texto na Benzaiten.
Ah, aproveitei para dar uma "repaginada" no projeto gráfico do site e, apesar de faltar algumas lacunas pra preencher e alguns detalhes pra melhorar, acho que está razoavelmente funcional. Qualquer problema, aguarde refinamentos ou me avise aqui nos comentários. Segue abaixo o link para o texto do Peterson.
Na mídia – de novo! – nosso caro Moacyr Alves, dessa vez pelo Scrap, programa da MTV que trata de comportamento virtual, cultura pop, cabelos coloridos e tecnologia. O Scrap MTV é apresentado pela Mariana "Marimoon" Lima, mas quem visitou o Moa foi a Flávia Gasi, que também escreve no Game Blog da mesma emissora. A entrevista foi sobre coleções de videogame e teve a participação de Luiz Ferrarezi, também colecionador de consoles.
O portal E Arena Games tem pouco tempo de vida mas já acumula iniciativas significativas, seja na produção de conteúdo para o site, cobrindo eventos ou participando da coordenação de outros, mas também com a proposta de manter atenção especial ao que acontece na área de entretenimento eletrônico e tecnologia no Brasil, valorizando assim a produção e as iniciativas locais.
Dentro desta proposta, surgiu a série Blogando o Brasil dos Games, que vem realizando entrevistas com os principais geradores de conteúdos nacional em formato de blog. Recentemente a Benzaiten foi contatada pelo Márcio Filho, editor executivo do EAG, para uma conversa. Em se tratando de um grupo de amigos que somos, propus uma coletiva, e nesta participaram eu e meus dois colegas colunistas, o André Luiz Oliveira e o Osni "Juunin" Andrade.
Falamos de arte, cultura, produção nacional e preconceito nos games e vivências pessoais. A entrevista foi publicada hoje e pode ser acessada no link abaixo. Reforço agradecimento aos colegas que participaram da entrevista com seus pontos de vista e experiências, enriquecendo em muito o conteúdo. Agradeço também a todos os outros integrantes da Benzaiten, presente nos bastidores do grupo.
E se, assim como Tetris, nosso amigo Super Mario tivesse sido criado na antiga União Soviética? Teríamos o "Super Camarada Mario"? Nessa incrível animação podemos ver como ficaria uma personificação comunista do encanador mais famoso da Nintendo.
Atente para a violência do vídeo e não chame seus filhos para assistir.
Criado em 2005, o VGDJ esteve ativo por dois anos fazendo divertidos programas e falando do cenário da música para videogames e também do vasto universo da OCR. Em 2007 a equipe resolveu interromper suas produções, mas o show está no ar novamente com a casadinha (agora literamente) de apresentadores Zircon e Pixietrix e o novo integrante Brushfire.
O programa de número 68, "The Next Generation", com mais de 40 minutos, já está disponível e reinaugura os trabalhos.
Benzaiten — grupo dos apreciadores das artes aplicadas ao entretenimento eletrônico interativo.
A Benzaiten tem por objetivo evidenciar as expressões artísticas e os elementos projetuais humanísticos dos jogos eletrônicos (games e afins), como também valorizar os artistas e suas produções.