domingo, 14 de fevereiro de 2010

Sonhos Magnéticos: novo álbum de Doctor Dreams

O artista Doctor Dreams lança em 2010 seu trabalho entitulado Sonhos Magnéticos (produção independente, aquisição gratuita, 5 faixas, 30'). Doctor Dreams é Ganesh Carpanezzi (1987), natural de São Paulo e morando atualmente em Curitiba, estudante de música (Produção Sonora) pela UFPR. Ganesh também estudou piano no conservatório de MPB de Curitiba e desde pequeno é um aficcionado por percussão, mantendo uma ampla coleção de instrumentos percussivos em casa.

Ganesh me contou que começou a compor em 2003, fazendo bases de rap para grupos do bairro, mas em 2004 iniciou as produções como Doctor Dreams, quando, em 2006, lançou seu primeiro trabalho concluído.

Ouvir Sonhos Magnéticos é como ser inserido em um quase-sonho eletrônico, pois buscamos, por empatia, tentar reconhecer uma série de sons utilizados – e nem sempre reconhecendo a origem, pode-se ter uma sensação de déjà vu. Aparentemente somos remetidos à várias referências, seja pela imagem da capa, pelo título, pelos ritmos, pelos samplers, enfim. Acontece uma grande mistura e esse caldo começa a ganhar unidade conforme você apreende o clima de cada faixa.

A Haunted House, que é a faixa com ritmo mais marcado, dançante até, faz uma referência explícita a um videogame e não se limita ao uso de samplers pois insere, ao final, um trecho da música Ghost House, de Super Mario Word!

O trabalho é minimalista e as faixas têm um andamento suave, crescente, embora existam momentos onde a percussão possa evoluir de tempo aumentando a dinâmica; isso é nítido em O Dia das Duas Luas. Doctor Dreams cita a técnica do glitch que usa para compor pequenas arritmias e momentos que sugerem erros, imperfeições, e que reforçam o surrealismo do disco e, por que não, suas qualidades humanistas em meio ao universo eletrônico.

Logo abaixo temos texto do próprio artista sobre seu processo de criação, conceitos, referências e curiosidades e, por fim, o link para baixar o trabalho.

Uma experimentação onírico-eletrônica

— Por Doctor Dreams

O projeto para trabalhar sob o nome artístico de Doctor Dreams existe desde 2004. Depois de mais ou menos um ano frequentando festas de música eletrônica, resolvi começar a compor.

Meu processo criativo se dá em partes. Primeiro separo os samples que vou utilizar. Tirando algumas melodias e linhas de baixo, toda a música é feita com samples que baixo da Internet ou que eu mesmo preparo (recorto de músicas, gravo, "ripo" etc.). Com os samples separados e devidamente trabalhados começo a criar. A influência maior é o glitch: baterias que se deslocam, ritmos inusitados, dificuldade de definição de pulso, tudo isso tem a ver com glitch. Note que é mais o aspecto rítmico que se faz presente nessa influência.

Em questão tímbrica, o que prevalece é o chiptune. Porém algo me incomodava sempre que escutava esse estilo: a música parecia agressiva demais aos ouvidos, áspera. Então tento trabalhar os timbres de forma a suavizá-los, sem que percam o brilho característico. Pode-se ver o meu trabalho como alguém que tenta fazer uma trilha sonora para games mais recentes.

Tive um Atari que, quando pequeno, "rachava" de jogar. Passei pelo Super Nintendo e depois Playstation. Hoje jogo muito Nintendo 64 e com a onda dos emuladores para PC tudo ficou mais fácil. Tenho um joystick que uso nas performances musicais que faço ao vivo mas que também conecto no laptop nas horas vagas e passo horas jogando!

Mistura-se a tudo isso uma obsessão que tenho em repassar nas minhas músicas os sons que escuto nos meus sonhos. Desde pequeno tenho facilidade em lembrar dos sonhos e tento passar parte disso para as pessoas. Pequenos pads e synths crescentes com tons misteriosos tem servido bem para isso. Joga tudo numa vasilha, bate bem e está pronto!

A capa faz alusão ao ambiente onírico, surreal e psicodélico, três conceitos fortemente presentes nas minhas produções. Uma girafa como essa nunca será vista senão por alguém que transita por pelo menos um desses campos. No mais, a girafa é o único animal que não emite som nenhum, quando se pára pra pensar no som que ela emitiria, se pudesse, sempre vem à cabeça os barulhos mais inusitados.

Participou deste trabalho Rafael Fernandes Cavalcante (26, Itu, SP) – o Hibotic – produtor desde 1998. Além da composição conjunta da faixa que dá nome ao disco, ele contribui também com samples, loops, e o que é mais importante: idéias e opiniões sinceras! Estamos fazendo parcerias a quase um ano, já temos algumas faixas lançadas e pelo jeito teremos várias mais! Ele tem um dom com imagens também, sendo parte do seu trabalho audio-visual. Um toque que faz a diferença. Algumas coisas podem ser conferidas em: www.myspace.com/hibotic.

4 comentários:

André Luiz Oliveira disse...

Bacana o trabalho do Doctor Dreams. Baxei e ouvi. Não ouvi o bastante pra digerir ainda. Ainda mais porque o termo glitch e sua aplicação são novos pra mim.

Mas acho que uma outra ouvida interessada depois de ler a postagem vai dar uma clareada.

No mais, gostei das músicas. Comento depois com mais propriedade.

gamermaster disse...

Dica! Site da loja de vídeo games na qual encontrei e achei muito bom por seu atendimento e os ótimos preços. Confiram, pois vale a pena! ^^b http://www.incrivelgames.com.br

Anônimo disse...

Lamento pela "incrível" loja, que não tem condições de fazer publicidade decente e tem que ficar metendo comentários falsos nos blogs alheios :[

Alexo Maravalhas disse...

É, André. As primeiras audições merecem mais atenção, uma porque já no início da primeira faixa os ritmos são desencontrados, de cara sugerindo a técnica do glitch; outra, porque acredito que a proposta não é fazer um chiptune ou eletrônico pop ou dançante, mas um álbum com um conceito. Passado a impressão inicial dos sons desencontrados, o recurso não é tão evidente e nem é incômodo. Na verdade, a certa altura eu esqueço do tal do glitch ou mesmo do chiptune. Acho que ou é usado em menor ênfase ou nós o assimilamos mesmo e incorporamos na audição.

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