quinta-feira, 26 de março de 2009

Onlive pode quebrar paradigma no entretenimento interativo?

Pauta interessante sugerida pelo Raphael Müller, nos bastidores do grupo. A rede Onlive – assunto que está pipocando nos sites de jogos e dando o que falar e questionar – surgiu com a proposta de ser uma rede de entretenimento com o processamento de dados virtual, ou seja, deixa de existir a figura do console de videogame e mesmo o computador perde função de CPU.

No conceito, todo o processamento seria realizado virtualmente nos servidores do serviço e o retorno da interatividade, no caso de um game em forma de imagem e o som, se daria concretamente para o usuário em forma de vídeo, algo como uma TV à cabo personalizada. Assim, teoricamente, qualquer equipamento seria um potencial videogame de qualidade máxima, pois ele nada mais é que um receptor de vídeo, como uma HDTV.

A estrutura para o usuário final seria feita em quatro pontos: (1) um pequeno controlador de rede, algo como um modem externo ou um roteador; (2) um controle tipo joystick, ou equipamento que o valha, que é responsável pelas interações do usuário; (3) um aparelho visualizador da interação: um monitor de computador, uma TV digital ou um celular etc. e (4) a assinatura da rede do serviço em si.

Como esta concepção realiza o processamento pesado dos jogos em máquinas virtualmente distantes, o serviço está sendo "vendido" para funcionar, por exemplo, em qualquer configuração de computador pessoal, até mesmo em uma televisão digital comum. E faz todo o sentido, já que estes equipamentos são meros terminais intermediários e receptores de áudio e vídeo (as imagens e sons do jogo previamente renderizadas virtualmente).

O serviço Onlive está há alguns anos sendo desenvolvido, mas somente há alguns dias está causando alvoroço na comunidade de usuários do entretenimento interativo, pois podemos estar assistindo a quebra de um paradigma não apenas no universo dos videogames, mas acredito que perfeitamente adaptável a uma série de outros serviços e até formas de interação eletrônica que nem conseguimos nitidamente conceber atualmente. Por exemplo, o universo das artes digitais poderia ser transposto para ser distribuído como um canal de TV interativo. Imagine aquelas instalações digitais interativas, demonstrações audiovisuais, videoarte e até mesmo filmes de animação com interatividade no nível individual seria possível.

Você é entusiasta ou cético?

Atualmente um jogo eletrônico é desenvolvido com base nas limitações tecnológicas do parque de consoles instalado mundialmente. Se um game hoje é designado para rodar em um Playstation 2, o desenvolvedor deve restringir seu poder criativo para se adaptar a este equipamento, hoje ultrapassado. Essa limitação deixa de existir! O usuário final tem acesso a um produto de sofisticação 100% compatível com a última tecnologia disponível no provedor, sem ter que se preocupar com upgrades em seu computador ou console caseiro.

Conceitualmente, a ideia soa efetivamente como o surgimento de uma nova era do entretenimento. Algo em menor escala vem empurrando a história dos jogos eletrônicos para o futuro, como as redes on-line de videogames e mesmo o console que não usa mais mídia, mas baixa o software via rede. No entanto, acerca de todas essas possibilidades, podemos notar duas vertentes de opiniões: uma, que vê a proposta como genial, como uma real possibilidade para novos tempos; e outra a dos céticos, que não acreditam na funcionalidade total do sistema em ambientes não controlados e mesmo em regiões onde a qualidade da banda larga ainda não atingiu a excelência, tornando o ato de jogar um problema de lentidão de respostas.

Existe muitas questões de como o serviço se manteria financeiramente, ou seja, qual o custo final para o usuário, qual o suporte tecnógico local necessário, qual sua funcionalidade em redes menos favorecidas, qual capacidade dos servidores em atender individualmente seus usários na qualidade desejada etc. Parece que temos mais dúvidas do que certezas, no entanto, não podemos fechar os olhos para o serviço, que promete atuação já em 2009. Em um futuro próximo, seria este um começo real do cinema interativo? Ou do avanço dos jogos eletrônicos para o patamar de grande mídia?

3 comentários:

Caio disse...

Cético...muito cético!! so acredito vendo funcionando na minha maquina! E por isso ja me inscrevi no Beta...vamos ver!

Lucas Haeser disse...

Por mais que a gente queira que isso funcione, é praticamente impossível.

Dêem uma lida nesse texto aqui:
http://www.eurogamer.net/articles/gdc-why-onlive-cant-possibly-work-article

Resumindo, para isso funcionar eles teriam que ter:
1 - o melhor sistema de compressão de vídeo do universo, e que funciona na velocidade da luz;
2 - algo milagroso que elimine o conceito de lag de internet;
3 - computadores infinitamente superiores a tudo que existe hoje, e em quantidades obscenas.

Ou seja, o OnLive recebe o input do jogador, envia pela internet, processa os dados, calcula o efeito, gera um video em HD, compacta; e retransmite esse video para o computador do jogador. E ele faz isso SESSENTA VEZES POR SEGUNDO instantaneamente!

Se eles conseguiram isso eles vão ser maiores do que a Microsoft, a Apple o Google juntos. =)

Alexo Maravalhas disse...

Luque, também sou cético especialmente sobre alguns aspectos. Principalmente por imaginar a tecnologia funcionando bem no Brasil e quando. E outra é sobre o gargalo do processamento centralizado.

Sem conhecer muito a tecnologia, no entanto, vou colocar algumas questões, em cima do que você comentou.

a) A questão da infraestrutura da empresa é relativamente proporcional ao custo cobrado do cliente e do número de usuários ativos. Com um custo alto, número de usuários é menor e a estrutura pode ser menor etc. Então vale pensar nesse fator.

b) Há de se considerar o quê gera o lag de Internet e em quê circunstância. Será que um jogo "solo" geria o mesmo lag? Claro que minha questão vai por água abaixo em jogos multiusuário, princialmente os de massa.

c) Será que a rede da Onlive não é uma intranet? Assim, teríamos um ambiente mais controlado, embora também abrangente. Se o sistema fosse provido com um cabo próprio, como TV por assinatura, evita-se o tráfego já existente da Internet.

d) Vamos partir do princípio que, para ser compatível com TV digital, todo o sistema pode não ter um framerate tão alto. Se formos jogar algo em uma televisão, teoricamente só precisaríamos receber 30 quadros/segundo para qualidade máxima.

e) Quando você fala em gerar vídeo, parece algo muito distante. Mas se a gente pensar que um bom framerate significa 60 FPS pra cima, sendo que apenas 30 sejam necessários para a qualidade mediana do serviço, essa diferença pode viabilizar parte do processamento e trasmissão necessários. Então precisaria ser feito alguns cálculos para entender a fórmula: receber dados do controle + processar uma tela + geração e envio da imagem.

f) A compactação pode ser feita via hardware, onde o transcodificador caseiro já deve saber decodificar e penso que esse "trabalho" não possa ser pesado, senão o próprio aparelhinho caseiro começa se transformar em CPU e perde-se o conceito.

Era isso. Só viajando um pouco nas ideias, ainda nos aspectos mais tecnológicos. Podemos falar também de outras possibilidades menos ousadas, para outras aplicações.

Abraço

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